CSN avalia venda de até 100% da siderurgia em movimento estratégico de desalavancagem

1/26/20263 min read

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está estudando um plano abrangente de desinvestimentos que pode incluir a venda total da sua operação siderúrgica, segundo relato publicado hoje no Valor Econômico com base em fontes próximas às negociações. A proposta integra um esforço maior da empresa para reduzir endividamento, reequilibrar o portfólio e concentrar capital em unidades de maior retorno e crescimento.

CSN e a possível venda da siderurgia: como o mercado pode precificar esse movimento

A notícia do Valor aponta que a CSN abordou rivais e pode vender até 100% do negócio de siderurgia, em um movimento que o mercado tende a ler como desalavancagem + foco no core (mineração e outras frentes mais geradoras de caixa). O pano de fundo é um plano mais amplo de venda de ativos e redução de dívida em 2026.

O que muda na tese da CSN

  • Se a venda acontecer, a CSN pode reduzir risco financeiro (dívida) e “limpar” o case, mas também abre mão de um braço industrial cíclico que, em momentos bons do aço, ajuda EBITDA e caixa.

  • O preço/estrutura da transação (quem compra, valuation, dívidas/obrigações que vão junto, contratos de minério/logística etc.) é o que define se vira “gatilho positivo” ou “venda na baixa”.

Comparação rápida: múltiplos e qualidade do balanço (referência)

Usiminas (USIM5) — referência de múltiplo no Brasil

Relatório do BTG aponta a ação negociando perto de ~4,3x EV/EBITDA 2026 (e mostra EV/EBITDA 2026E na casa de ~4,9x em tabela). Isso dá uma pista do “piso” de múltiplo para siderurgia mais cíclica e com maior risco operacional.

Gerdau (GGBR4) — benchmark de “qualidade”

A Gerdau costuma ser vista como benchmark por diversificação e execução; há relatórios com preço-alvo 2026 (ex.: R$ 23/ação) e tese de valuation atrativo em determinados momentos do ciclo.

CSN (CSNA3) — onde está o desconto/prêmio

Relatórios recentes destacam melhora sequencial em resultados, mas seguem apontando alavancagem/geração de caixa como pontos sensíveis (o que tende a impor desconto de múltiplo vs. pares em fases ruins do ciclo)

Estratégia de desinvestimento e desalavancagem

Venda de ativos estruturais

A estratégia aprovada pela administração prevê:

  • Alienação de participação no negócio de infraestrutura, incluindo operações logísticas e ativos portuários;

  • Venda de participação de controle na CSN Cimentos;

  • Possível oferta de até 100% da operação siderúrgica principal, caso surjam interessados estratégicos com capacidade para assumir o negócio.

O plano não inclui a CSN Mineração, que continua sendo considerada a principal avenida de crescimento do grupo, com forte geração de caixa e perspectivas de expansão internacional.

Objetivos financeiros

Os desinvestimentos visam:

  • Reduzir dívida bruta entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em 2026;

  • Aumentar a flexibilidade financeira da empresa;

  • Focar recursos em segmentos com maior rentabilidade e potencial de crescimento sustentável.

A expectativa da administração é que, com a reorganização do portfólio, a CSN possa alcançar uma alavancagem mais saudável e, ao longo de até oito anos, dobrar o EBITDA da companhia.

Reação do mercado

Com o anúncio das intenções de desinvestimento, as ações da CSN (ticker CSNA3) tiveram movimentos de volatilidade, refletindo incertezas sobre o valor atribuído aos ativos e o impacto potencial na estrutura de receita da empresa. A liquidez e os indicadores operacionais da siderurgia, tradicionalmente voláteis em função de ciclos econômicos e preços de commodities, também influenciam a precificação do papel no curto prazo.

Implicações para a economia e investidores

Repercussões setoriais

  • Reconfiguração da estrutura competitiva no setor siderúrgico brasileiro, abrindo espaço para entrada de players estratégicos estrangeiros ou parcerias industriais.

  • Potencial mudança na cadeia de valor, com foco maior em mineração e logística integrada.

Riscos e oportunidades

Riscos:

  • Desinvestir a operação principal pode reduzir a presença industrial nacional em setores intensivos em aço (automotivo, construção, bens duráveis).

  • Dependência de condições de mercado favoráveis para realizar vendas de ativos em preços atrativos.

Oportunidades:

  • Reposicionamento focado em segmentos mais resilientes e de maior valor agregado.

  • Redução do custo de capital e melhora nas métricas de crédito, potencialmente ampliando acesso a financiamentos mais baratos.